São Leão Magno, Papa e Doutor da Igreja!
Hoje, dia 10 novembro, celebramos a memória litúrgica de São Leão Magno! O Santo Doutor da Igreja e Papa, que foi essencial na história da Igreja Católica e até hoje é considerado um dos papas mais importantes.
Italiano, nasceu na região perto de Roma no ano 400. Viveu sua fé de maneira verdadeira, era um cristão consistente e forte, que ainda jovem foi ordenado sacerdote. Ele viveu uma vida eclesiástica santa, sendo carismático e prestativo.
Por alguns anos, foi conselheiro dos papas Celestino I e Xisto III. Foi, então, eleito Papa no ano de 440, assumindo o título de Leão I. Seu pontificado durou 21 anos e aconteceu durante um período difícil para a Igreja e a política.
Ele protegeu a Itália da invasão de Átilo, o rei dos Hunos, ao convencê-lo, com sua força moral, de retroceder. A atuação de Leão também foi essencial na contenção dos vândalos liderados por Genserico que pretendiam incendiar a cidade de Roma.
O santo também teve um papel importante no combate de heresias como o eutiquianismo e o donatismo. Sua atuação foi decisiva no IV Concílio de Calcedônia. Escreveu um texto afirmando as duas naturezas que residem na Pessoa de Jesus Cristo: a divina e a humana.
Os diversos Bispos testemunharam, ao ler o texto que nos explica um aspecto teológico tão essencial, que "Esta é a fé dos Apóstolos! Foi Pedro que falou pela boca de Leão!”.
Seus escritos foram muito importantes e esclarecedores na história da Igreja, e por esse motivo foi declarado Doutor da Igreja! O santo morreu no ano de 461 e foi enterrado na Basílica de São Pedro.
São Leão Magno, rogai por nós!
Finados: o mistério da morte e a esperança na vida eterna.
No dia 2 de novembro a tradição católica nos recorda de todos os fiéis defuntos, aqueles que morreram na esperança da vida eterna e do encontro com o Senhor!
Não é um dia de tristeza para nós, mas uma oportunidade de rezar por aqueles que já se foram, nossos familiares, amigos e todas as almas que buscam a plenitude diante de Deus.
É uma solenidade que acontece logo após a Festa de Todos os Santos, tendo grande ligação com essa. No dia de Finados, nós, Igreja Militante (da Terra), em união com a Igreja Triunfante (do Céu), nos recordamos da Igreja Padecente (no purgatório). Nesse momento testemunhamos a comunhão dos santos, a união dos santos e pecadores em uma só Igreja.
Nesse dia, nós não celebramos a morte. Sabemos que na morte de Cruz Jesus venceu a morte. Então o que fazemos? Nós intercedemos por todas as almas cristãs que morreram na esperança da vida eterna, por todos aqueles que alcançaram a salvação mas passam por esse momento de purificação de todos os pecados.
Lembrar daqueles que se foram pode acabar gerando tristeza e saudades, mas precisamos compreender que celebrar o Dia de Finados é também professar, como católicos, que cremos na Ressurreição, que reconhecemos a alegria que é fazer parte da fé cristã!
Contemplamos o mistério da morte, reconhecendo que ela não é o fim. Como católicos, nós sabemos que ela não passa de uma passagem. Como Santo Agostinho nos diz: “Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho… Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela como sempre foi.”.
Que possamos, então, usar este dia como uma oportunidade de refletir e com carinho interceder pelas almas que se encontram no purgatório. Que não nos esqueçamos da fé que testemunhamos e na ressurreição que com alegria professamos!
São Lucas, Evangelista e ‘biógrafo de Maria’
No dia 18 de outubro somos convidados a celebrar a memória litúrgica de um santo evangelista muito especial: São Lucas! Aquele que com grande amor conheceu a história de Cristo, e tornou-se um homem dócil ao Espírito Santo.
O santo era um médico nascido em Antioquia, na Síria, e seu nome, Lucas, significa “portador de luz”. Não teve a chance de conhecer Jesus pessoalmente, mas por meio dos apóstolos e daquilo que eles lhe apresentaram, converteu-se ao cristianismo.
Tornou-se discípulo e amigo próximo de São Paulo, e o acompanhou em diversas viagens missionárias. Permaneceu com ele até mesmo quando estava preso, e cuidava dele com grande disposição, e Paulo o cita como “Médico queridíssimo”. Depois do martírio do santo, Lucas continuou sua missão evangelizadora.
Lucas foi quem escreveu o terceiro Evangelho, e muitos o chamam de “biógrafo de Maria” visto que foi ele quem escreveu sobre a Anunciação, a Visitação, o Natal e a infância de Jesus. Acredita-se que escutou sobre esses acontecimentos diretamente da Virgem Maria, e nos escritos podemos perceber o grande amor filial de Lucas por Ela.
Em seu Evangelho, nos deparamos com o imenso Amor de Deus, contemplamos o chamado à oração e à pureza de coração. Encontramos a profunda Misericórdia do Senhor. Ele escreve para os gentios, aqueles que não são judeus e ainda não conhecem a Jesus.
O santo também escreveu sobre a história da Igreja Primitiva no Atos dos Apóstolos. Nesse livro, Lucas narra os acontecimentos do início do cristianismo, fala sobre a vinda do Espírito Santo no Pentecostes e as viagens missionárias com Paulo.
Segundo a tradição, Lucas foi martirizado por anunciar o Evangelho. Em sua vida podemos encontrar seu profundo amor por Jesus, sua entrega a uma vida missionária e santa. Encontramos também seu esforço de estudar e escrever sobre a vida de Cristo sempre guiado pelo Espírito Santo!
São Lucas, rogai por nós!
Santa Teresa D’Ávila, a primeira Doutora da Igreja.
No dia 15 de outubro somos convidados, como membros da Igreja Católica, a celebrar a memória litúrgica de Santa Teresa D’Ávila, a primeira Doutora da Igreja! A santa responsável pela reforma do Carmelo.
Nasceu em Ávila, na Espanha, em 1515, e desde muito nova foi educada por seus pais nos caminhos da Igreja. Queria, junto com seu irmão, tornar-se mártir da fé. Quando, aos quatorze anos, sua mãe morreu, seu pai colocou-a para estudar no Convento das Agostinianas de Ávila.
No convento, sentiu o chamado à vida consagrada, e mesmo que seu pai não aprovasse, Teresa entrou aos vinte anos no Carmelo. Lá viveu um período de relaxamento, se deixando levar pelas conversas vãs. Até que, diante de uma imagem de Jesus sofredor, perguntou-lhe o que causava tanto sofrimento, e recebeu a resposta de que suas conversas fúteis eram o motivo.
Assim, aos quarenta anos de idade, Teresa viveu uma experiência de conversão. Ela sentiu o chamado para começar uma reforma no Carmelo, e depois de encontrar resistência, conseguiu fundar um novo Carmelo com poucas irmãs, dedicadas a viver uma vida mais simples e austera.
Esse foi o início do movimento que conhecemos hoje como as Carmelitas Descalças. A santa conseguiu, com a ajuda de seu grande amigo e também Doutor da Igreja, São João da Cruz, fundar e reformar outros conventos.
Em 1970 foi declarada Doutora da Igreja pelo Papa Paulo VI, e seus escritos nos revelam sua grande profundidade espiritual. Neles, ela nos conta sobre suas diversas experiências místicas e nos traz ensinamentos sobre como nos aprofundarmos em nossa vida espiritual.
Uma das experiências místicas que relata foi o momento em que um anjo transpassou seu coração com uma seta de fogo. Fato que até hoje é celebrado no Carmelo no dia 27 de agosto.
Teresa é um exemplo de amor e santidade. Ela verdadeiramente amou e lutou pela Igreja Católica numa época tão difícil, o surgimento das igrejas protestantes. Pouco antes de sua morte, disse: “Senhor, sou filha de vossa Igreja. Como filha da Igreja Católica quero morrer”.
Santa Teresa D’Ávila, rogai por nós!
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil
Hoje temos a alegria de comemorar o dia da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida! Aquela que há mais de 300 anos intercede e olha por nós, e atende àqueles que a ela recorrem com devoção.
A imagem de Maria foi encontrada em 1717 por três pescadores, que foram convocados para pescar já que a Vila de Guaratinguetá iria receber uma visita importante. Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves aceitaram a missão, e saíram para pescar no Rio Paraíba.
A pesca estava difícil e os três já estavam prestes a perder a esperança até o momento em que, depois de recorrer à intercessão de Maria, encontraram o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição ao lançar as redes. Tentaram mais uma vez e encontraram a cabeça da imagem, e lançando as redes uma última vez, tiveram a graça de apanhar tantos peixes que tiveram de retornar com medo da canoa virar.
A imagem ficou na casa de Filipe durante 15 anos, e muitos se reuniam para rezar à Nossa Senhora da Conceição. Assim, muitas graças e milagres passaram a acontecer àqueles que lhe eram devotos.
Um dos milagres mais marcantes foi o da filha de Gertrudes Vaz em 1874. Dona Gertrudes e sua filha, que era cega desde o nascimento, escutaram sobre a “pesca milagrosa” e sentiram o desejo de visitar Nossa Senhora Aparecida. Quando chegaram na cidade, ainda na estrada, a filha disse: “Olhe, mamãe, a capela da Santa!”. A menina passou a ver! Rezaram, então, à Senhora de Aparecida com profunda gratidão.
Em 1930 foi proclamada a padroeira do Brasil pelo Papa Pio XI e em 1955 a nova basílica começou a ser construída, sendo essa a maior basílica do mundo dedicada à Virgem Maria.
Nossa Senhora da Conceição Aparecida, rogai por nós!
Santa Faustina Kowalska, a Apóstola da Divina Misericórdia
Hoje temos a alegria de celebrar a memória litúrgica de Santa Faustina, uma santa Apóstola da Divina Misericórdia, a quem o Senhor revelou tantas promessas!
Faustina nasceu na Polônia em 1905. Foi a terceira dos dez filhos de seus pais, e não pode terminar seus estudos pois precisou trabalhar para ajudar no sustento de sua família.
Quando expressou aos seus pais o desejo de viver a vida consagrada, eles não permitiram que vivesse sua vocação. Se deixou levar pelas diversões do mundo até o dia em que teve uma visualização de Jesus que lhe disse: “Até quando hei de ter paciência contigo? Até quando tu me enganarás?”.
Faustina entrou, então, para o convento das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia. Ela teve diversas experiências místicas, e a ela, Jesus fez diversas aparições. Todas foram registradas em seu diário, e nos convidam à devoção à Divina Misericórdia.
Entre as principais promessas aos devotos da Misericórdia que Jesus lhe revelou, estão:
-A Festa da Misericórdia será um refúgio para todas as almas, e poderá ser a última chance para que muitos se salvem
-No primeiro domingo depois da Páscoa será celebrada a Festa da Misericórdia, e Deus oferece perdão completo, as indulgências plenárias, àqueles que confessam e comungam nessa festa
-Não haverá paz senão pela misericórdia de Deus
-Quando o mundo reconhecer a misericórdia de Deus será um sinal do fim dos tempos
-Que Deus é o melhor de todos os Pais, e quer que todos sejam salvos
- A justiça de Deus é iminente quando sua misericórdia é rejeitada
- Os maiores pecadores têm mais direito à misericórdia de Deus, e a confiança na misericórdia de Deus dos maiores pecadores deve ser total
-Não deve haver medo de se aproximar da misericórdia de Deus
-A misericórdia de Deus deve ser adorada e a imagem, fonte de numerosas graças, venerada
O Senhor revelou também a ela a oração a ser rezada às 15 horas, o Terço da Misericórdia!
Santa Faustina Kowalska, rogai por nós!
São Pio de Pietrelcina: “Faz o bem, sempre e em toda a parte”
Somos convidados a celebrar, no dia de hoje, a vida e as obras de um santo muito importante para nós católicos: São Padre Pio de Pietrelcina! Um santo que verdadeiramente entregou sua vida a serviço do Reino.
Francisco, seu nome de batismo, nasceu em 1887 em Pietrelcina, um pequeno vilarejo italiano. Desde muito jovem, era religioso e tinha profunda intimidade com Jesus, Maria e seu anjo da Guarda.
Entrou, aos quinze anos, no Noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, e adotou o nome de ‘Frei Pio’. Em 1910, foi ordenado sacerdote, e verdadeiramente viveu a sua missão de conduzir o povo de Deus.
Dedicando-se sempre à celebração da Santa Missa e ao sacramento da Confissão, Padre Pio passava horas dentro do confessionário. Sempre buscando aliviar os corações que sofriam em decorrência do pecado e das tentações.
Ele muitas vezes sabia dos pecados do fiel antes mesmo que lhe fossem confessados, e já chegou a negar a absolvição à um fiel por saber que não estava realmente arrependido de seu pecado, e o fazia para seu bem. Quando este fiel confessou o pecado estando realmente arrependido, o santo absolveu-o e disse com um sorriso: “Não tenha pressa de ir embora! Fique mais um pouco, vamos conversar.”.
Foi ele o primeiro sacerdote a receber os estigmas de Jesus, as chagas que Ele sofreu na crucificação. Teve diversas experiências místicas e vivenciou batalhas espirituais, mas sempre se manteve forte no Senhor, sem se queixar.
Em 1968, em seu quarto no mosteiro de São Giovanni Rotondo, o santo que passou a sua vida carregando a sua cruz e amando profundamente a Jesus, descansa em paz.
São Padre Pio, rogai por nós!
São Mateus Evangelista, o cobrador de impostos que se converteu para seguir Jesus!
Hoje, dia 21 de setembro, a liturgia nos convida a celebrar o dia do apóstolo e Evangelista: São Mateus! Um homem que viveu uma verdadeira conversão e deixou sua vida de conforto para trás para poder seguir a Jesus!
Seu nome antes da conversão era Levi, e segundo o seu Evangelho, Jesus disse “Segue-me” quando o viu, e o santo escutou ao Seu chamado. Deixando sua vida como coletor de impostos para viver a santidade e escutar os ensinamentos do Mestre.
O Evangelho também nos diz que, depois de ter conhecido o Senhor e escutado à Sua vontade, ele preparou um banquete em sua casa para Jesus e seus discípulos. Vendo isso, o povo criticou Jesus, dizendo aos discípulos: “Por que come vosso mestre com os publicanos e com os pecadores?”.
Jesus respondeu-os dizendo: “Não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”. (Mateus 9, 11-13).
Mateus é um exemplo destes pecadores que o Senhor vem chamar, um rico cobrador de impostos, uma profissão que era desaprovada pelo povo da época, que foi convidado a uma mudança de vida por Jesus.
Viveu a sua vida seguindo o Mestre, e depois da Ascensão de Jesus ao Céu, o santo apóstolo escreveu o primeiro Evangelho. Inspirado pelo Espírito Santo, Mateus escreveu sobre a vida e os ensinamentos do Senhor, descrevendo os momentos importantes que viveu ao lado Dele.
Em seu Evangelho, o santo escreve para todos, mas especialmente para os judeus e os cristãos convertidos do judaísmo. Nele, faz diversas referências ao Antigo Testamento e evidencia que Jesus é o próprio Messias.
São Mateus, rogai por nós!
225 Anos da criação da Paróquia N. Sra. da Expectação (do Ó) (1796-2021)
Hoje celebramos, como comunidade, os 225 anos da criação da Paróquia Nossa Senhora da Expectação (do Ó)! Um dia muito especial para nós, no qual revemos nossa história, contemplamos os momentos especiais e também os de dificuldades, e verdadeiramente agradecemos a Deus pela sua ação durante todos esses anos! Leia um pouco mais sobre a nossa história, descrita por Benedito Camargo:
ORIGEM
Quem observa a paisagem, no alto da colina, sente algo indescritível, uma paz penetrante e silenciosa, aqueles enormes casarões, de construções anteriores ao século XX, que permeados às novas construções, criam um misto de encantamento, nostalgia e progresso, alinhados no entorno da imponente matriz da Freguesia do Ó, sede da Paróquia Nossa Senhora da Expectação do Ó. Descrever esse lugar, que lembra uma cidadezinha do interior, exige levar em conta o tempo e a história de seu passado, inserido na grande história universal, nas múltiplas circunstâncias, que originam os lugares da terra.
A Paróquia Nossa Senhora do Ó, como hoje é popularmente conhecida, situada na Região episcopal Brasilândia, da Arquidiocese de São Paulo, na enorme metrópole, São Paulo, passou por muitas instâncias dentro da Geografia política, desde a chegada dos portugueses ao Brasil na virada para o século XVI.
Partindo de Portugal, desde a primeira missa, até 1551, todo o Brasil pertencia à Diocese de Funchal. De 1551 até 1575 a Diocese era Salvador. De 1575 até 1676 a Diocese passa a ser o Rio de Janeiro. Finalmente em 6 de dezembro de 1745 foi criada a Diocese de São Paulo, cuja sede central era denominada Freguesia da Sé.
COMO TUDO COMEÇOU
O lugar teve início em 1580, quando Manuel Preto, um bandeirante, se instalou numa fazenda, na Vila de São Paulo, após 26 anos de sua fundação. Manuel Preto e sua mulher, Águeda Rodrigues, após obterem despacho favorável em 29 de setembro de 1615, ao requerimento de provisão que fizeram, pelo motivo de não poderem cumprir suas obrigações religiosas na vila, juntamente com sua gente. Além da grande distância, e dos perigos e obstáculos do percurso, havia um caudaloso rio, que assustava até os silvícolas em suas canoas de tronco de árvore, quando tinham que transpor da vila de São Paulo de Piratininga para as “bandas d’além do Anhamby”. No alto do morro muitas árvores de embaúba prata com sua coloração azulada que refletia à luz e toda a montanha ganhava cor, por isso a identificavam como “colina azul”, onde iniciaram a construção de uma capela. Em 15 de agosto de 1618, estando já concluída a construção da humilde capelinha em honra da Senhora da Esperança, Águeda Rodrigues e seu marido, passaram a escritura de doação, "athe o fim do mundo", do "cítio do jaragoa" e todos os bens do casal, vinculando tudo à dita Capela, que teve ao seu redor, a formação do pequeno povoado.
O agregamento da quarta vogal ao nome do lugar se deu a partir do costume de cantar as Antífonas de vésperas que a Igreja entoa dos dias 17 a 23 de dezembro, e na localidade tinha relação com Nossa Senhora da Esperança, ou da Expectação, título dado a Maria que está na expectativa da chegada do Menino Deus. São os vocativos; Ó Sabedoria... Ó Adonai... Ó raiz de Jessé... Ó Chave de Davi... Ó Sol nascente... Ó Rei das Nações... Ó Emanuel...!
Em 1794, em substituição à antiga capela, já em ruínas, foi inaugurada uma nova igreja dedicada à Virgem do Ó, construída noutro espaço, e se tornou Paróquia pelo Alvará de Constituição de 15 de setembro de 1796, concedido pela Rainha de Portugal dona Maria I, que sob o comando de dom Mateus de Abreu Pereira, o quinto bispo do lugar, aconteceu a divisão do Povo de Deus, em três porções. Ficavam assim constituídas na Vila de São Paulo; Freguesia da Sé, Freguesia da Penha e Freguesia de Nossa Senhora do Ó. Foi, então, no “Padroado”, regime de parceria Igreja-Estado, que se tornam autônomas na nova Diocese, duas novas instâncias jurídicas, sendo emancipadas e ganhando vida própria. A nomenclatura “Freguesia”, é proveniente de uma deformação ou da má compreensão do termo “Filii Eclaesia”, aportuguesado; “Freguesia”, que é uma porção do Povo de Deus, - “Filhos da Igreja” – essa é uma forma de pertença, hoje denominada de “Paróquia”. Nesse novo prédio construído pelo padre Franco da Rocha, permaneceu a sede da Paróquia até o dia 22 de setembro de 1896, quando ao tentar espantar com fogo, um enxame de abelhas, instaladas na torre, o sacristão a incendiou. Naquela noite a multidão acorria com baldes d'água para debelar o fogo, inimigo voraz, que consumiu tudo, muito mais rápido que a ação e a vontade dos moradores. Quanto sofrimento e dor, e daquele fato surgiu uma força, e dessa união resultou o planejamento e a construção da nova Matriz.
Na manhã seguinte ao trágico acidente, daquele fogo que devorara a igreja, já havia a preocupação de reconstruir novo espaço de fé, pois aquele povo necessitava manter um lugar de encontro com Deus e suas práticas devocionais. Em 1897 por iniciativa de João da Silva Machado e apoiado por José Romão Martins, habitantes do local, foi marcada uma reunião com outros moradores, onde organizaram a Comissão encarregada para obter fundos para a construção da nova matriz, cuja pedra fundamental foi lançada no dia 9 de janeiro de 1898. Construído sob a coordenação do pároco, padre João de Freitas Monteiro de Vasconcelos, o atual prédio foi inaugurado em 27 de janeiro de 1901, com uma missa presidida pelo Cônego Esequias Galvão de Fontoura. Graças ao trabalho dos habitantes do lugar a construção foi erguida em três anos, tempo recorde para a época. Destaque nessa tarefa foi o trabalho dos animais utilizados na busca da água, trazida do Rio Tietê, que possibilitou a construção do novo prédio. Mulas foram utilizadas. Como é sabido, esses muares, orientados em processo repetitivo, passam a executar as tarefas, sozinhos, e assim, iam e retornavam do rio sem condutores, bastando ter alguém que colocasse a carga ao lombo e quem descarregasse.
VIDA E MISSÃO DA COMUNIDADE
Desde a chegada de Manuel Preto e sua mulher, um pequeno povoado foi sendo estabelecido e os habitantes se reuniam na pequena capela, onde dona Águeda Rodrigues tinha um oratório dedicado à Senhora da Esperança. Esse espaço tornou-se lugar de encontro e de oração nas práticas devocionais dos seus habitantes. Ter um lugar para oração possibilitou o aumento da Fé e da Esperança do povo. A Caridade se espalha tornando aquele lugar o centro de partilha e solidariedade. Com a criação da Paróquia em 1796, a comunidade cristã se desenvolveu e frutificou com a celebração da Liturgia e administração dos Sacramentos.
Hoje, a Paróquia Nossa Senhora da Expectação do Ó, com suas Pastorais e Serviços, cumpre sua missão de servir o Povo de Deus do lugar, a partir do anúncio da Palavra de Deus e administração dos Sacramentos da Igreja. É o lugar de encontro em busca da Verdade e da Paz, do Acolhimento, de Partilha, do Convívio existencial e de Espiritualidade. Uma Comunidade unida e atenta, que toma sempre a iniciativa para resolver os problemas do povo da Região.
Nascida à sombra da Cruz, debaixo do olhar de Maria, Senhora das Dores, em 15 de setembro, a Paróquia Nossa Senhora da Expectação do Ó, comemora 225 anos de sua fundação.
Veja algumas fotos que mostram a nossa história:
Capela.
Colina azul.
Ponte sobre o Rio Tiête.
Antiga Matriz.
Dia da Inauguração da Matriz.
Paróquia Nossa Senhora da Expectação do Ó em 1980.
Paróquia Nossa Senhora da Expectação do Ó atualmente.
BIBLIOGRAFIA
____________________
BARRO, Máximo, História dos bairros de São Paulo, Vol. 13, Nossa Senhora do Ó, São Paulo, P.M.S.P. - Sec. Mun. de Cultura, 1977.
Con. Paulo Florêncio da Silveira Camargo, A Instalação do Bispado em São Paulo e seu primeiro bispo, Vol. 1.
SOUZA N. (org.) Catolicismo em São Paulo – 450 anos de presença da Igreja Católica em São Paulo, São Paulo: Paulinas, 2004.
Teodoro Sampaio, São Paulo de Piratininga nos fins do século XVI, R.I.H.G., São Paulo, Tomo IV.
ZÍNGARI, N. R. e outros, 200 Anos de Paróquia Nossa Senhora do Ó - 1796-1996, São Paulo, Bassan, 1996.
Como viver o Evangelho em nossa vida cotidiana?
Setembro, o mês da Bíblia, é para nós, católicos brasileiros, um momento de refletir e contemplar o tesouro que é uma das bases da nossa fé.
Reconhecermos a importância de conhecer o Evangelho para poder pregá-lo. Mas principalmente da necessidade de conhecermos o Jesus que nos encontra no Evangelho!
Quando nos tornamos católicos devemos também viver uma conversão verdadeira e constante pela ação do Espírito que nos santifica. Viver o Evangelho em nossas vidas, no dia a dia, é essencial para uma vida de santidade. Mas como podemos fazer isso?
Antes de tudo é necessário conhecer o Evangelho e compreendê-lo! Precisamos ter um contato direto com a Bíblia, fazer questão de lê-la, e tornar a sua leitura uma oração. A Leitura Orante é, nesse sentido, essencial.
Para fazê-la temos 4 “degraus”, como nos diz o monge Guigo II, o primeiro é a leitura, nela, lemos com atenção os textos Sagrados; o segundo é a meditação, no qual nos questionamos “o que o Senhor quer me dizer através dessas palavras hoje?”; o terceiro é a oração, na qual rezamos em agradecimento à Deus, ou pedindo seu perdão, depois de refletirmos sobre sua mensagem; e o último é a contemplação, ela supõe mudança de vida, transformação real, torna possível que enxerguemos o mundo de maneira nova.
Viver o Evangelho em nossas vidas é, então, colocar em prática aquilo que o Senhor nos ensina na Bíblia. Com muito esforço e oração, passamos a mudar nossas atitudes para que se assemelhem às de Jesus. Começamos a pensar duas vezes antes de criticar, nos empenhamos a amar os que estão à nossa volta e perdoamos sabendo que essa é a vontade Dele.